Portugal enfrenta onda de protestos contra crise habitacional

Portugal vive dias de tensão com uma série de ocupações de praças públicas em protesto contra a crise habitacional que afeta o país. O movimento começou há três semanas no Porto, onde manifestantes montaram acampamentos reivindicando o direito à moradia. Posteriormente, ações semelhantes foram realizadas na Praça do Rossio, em Lisboa, o famoso ponto turístico da capital. A resposta da polícia foi repressiva, com operações para desmontar os acampamentos sob alegação de ocupação ilegal, resultando em relatos de ferimentos entre os manifestantes. Apesar das investidas policiais, os protestantes continuam remontando as tendas.
Os números revelam a dimensão do problema. Segundo dados do portal Pordata, o custo de habitação em Portugal aumentou 41,5% entre 2020 e 2025, o maior percentual de toda a União Europeia, que teve média de 3,2%. Um estudo do Conselho Europeu mostrou que em Lisboa, o aluguel consome em média 116% do salário médio dos moradores, sendo a única das 22 cidades europeias pesquisadas onde isso ocorre. O salário mínimo português é de 920 euros, enquanto um apartamento pequeno no centro custa a partir de 1.500 euros mensais.
Priscila Valadão, ativista brasileira e porta-voz do movimento, relata a dificuldade concreta de viver na capital portuguesa. Após 12 anos no país, ela ainda precisa dividir moradia na periferia de Lisboa, longe do centro. Segundo ela, imigrantes enfrentam discriminação adicional, com proprietários recusando locatários estrangeiros ou exigindo até 12 meses de aluguel antecipados. Os brasileiros formam a maior comunidade estrangeira em Portugal, com 493 mil pessoas registradas.
Os manifestantes apontam a especulação imobiliária como causa principal, alimentada por fundos de investimento estrangeiros e pela transformação de imóveis em hospedagens turísticas. Entre as reivindicações estão a restrição a compras por fundos imobiliários, maior oferta de habitação pública e a conversão de prédios vazios em moradias populares. O governo de Luís Montenegro anunciou um plano de investimento de 10 bilhões de euros, incluindo a construção de 133 mil residências, mas os manifestantes questionam se as novas leis sobre aluguéis, em tramitação no Parlamento, não acabarão agravando ainda mais a situação.
Com informações de Agência Brasil — fonte original.
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