A decisão de que o Reino Unido proíbe redes sociais para menores de 16 anos marca um dos movimentos mais rigorosos já adotados por um país europeu para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que também revelou estudos para limitar o acesso de jovens a plataformas de inteligência artificial e transmissões ao vivo.
A medida deve entrar em vigor gradualmente, com implementação prevista até o início de 2027. O objetivo, segundo o governo britânico, é reduzir os impactos negativos das redes sociais sobre a saúde mental, o desempenho escolar e o desenvolvimento social dos jovens.
Quais plataformas serão afetadas?
A nova regulamentação deve atingir algumas das maiores redes sociais do mundo, incluindo Facebook, Instagram, TikTok, Snapchat e X (antigo Twitter).
Por outro lado, aplicativos de mensagens como WhatsApp não serão afetados pelas restrições anunciadas até o momento.
Segundo o governo britânico, menores de 16 anos também poderão ser impedidos de realizar transmissões ao vivo e interagir com desconhecidos em plataformas de jogos online.
Governo também avalia restrições para inteligência artificial
Além das redes sociais, autoridades britânicas estudam limitar o acesso de adolescentes a chatbots de inteligência artificial.
A proposta surge em meio ao crescimento acelerado do uso de ferramentas baseadas em IA por jovens para entretenimento, estudos e conversas digitais. Os detalhes da regulamentação deverão ser apresentados oficialmente nas próximas semanas.
Segurança digital para crianças é prioridade
De acordo com uma pesquisa citada pelo governo, cerca de 90% dos pais britânicos apoiam a criação de uma idade mínima para acesso às redes sociais.
Além disso, 85% dos entrevistados acreditam que os riscos associados às plataformas digitais superam seus benefícios para crianças e adolescentes.
Para Keir Starmer, a internet tem afastado jovens de atividades fundamentais para o desenvolvimento, como leitura, convivência familiar, prática esportiva e rotina adequada de sono.
Modelo australiano serviu de inspiração
A iniciativa britânica foi inspirada na legislação implementada pela Austrália em 2025, considerada a primeira proibição ampla do mundo para menores de 16 anos nas redes sociais.
No modelo australiano, as plataformas são responsáveis por impedir o acesso de menores. Empresas que descumprem as regras podem receber multas milionárias.
Brasil acompanha debate internacional
O tema também vem ganhando espaço no Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já declarou que acompanha experiências internacionais e defende regras mais rígidas para plataformas digitais.
Atualmente, a legislação brasileira exige consentimento dos responsáveis para determinados serviços destinados a menores e determina que empresas adotem mecanismos de proteção adequados à idade.
O que muda para o futuro da internet?
A decisão do Reino Unido reforça uma tendência global de maior regulação das plataformas digitais. Governos em diferentes países buscam equilibrar inovação tecnológica e proteção de crianças e adolescentes.
Enquanto empresas de tecnologia argumentam que restrições amplas podem limitar o acesso a conteúdos educativos, defensores da medida acreditam que ela representa um passo importante para criar ambientes digitais mais seguros.
O debate sobre redes sociais, inteligência artificial e proteção da infância promete ganhar ainda mais força nos próximos anos.








