O debate sobre o marco regulatório da Inteligência Artificial no Brasil ganhou novos contornos. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu que o país adote um modelo de regras flexíveis e adaptáveis, fugindo de legislações rígidas que poderiam se tornar obsoletas rapidamente diante da velocidade da tecnologia.
Em entrevista à TV Brasil, o ministro ressaltou que o objetivo é transpor as “regras de boa civilidade” do mundo real para o ambiente digital.
A Matriz de Risco da IA
O ponto central da proposta é a criação de uma matriz de risco para classificar as aplicações de IA. Em vez de uma lei única para tudo, a fiscalização será proporcional ao impacto da ferramenta:
| Categoria de Risco | Exemplos de Aplicação | Nível de Exigência |
| Alto Risco (Sensível) | Genética humana, reconhecimento de identidade, direitos individuais. | Máximo: Transparência rigorosa, controle e compliance. |
| Baixo Risco (Lúdico) | Jogos, entretenimento e funções de lazer. | Mínimo: Regras simplificadas para não frear a inovação. |
Alfabetização Digital e o “ECA Digital”
Durigan enfatizou que a regulação sozinha não basta; é necessário investir em educação tecnológica para proteger a população, especialmente grupos vulneráveis.
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Educação vs. Regras: O ministro comparou o ambiente digital à vida real, onde a orientação escolar e familiar é essencial, mas mecanismos de punição a crimes também devem existir.
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Proteção à Infância: O governo discute a implementação do chamado ECA Digital (Estatuto da Criança e do Adolescente Digital) para combater abusos e golpes no ambiente virtual.
Legislação que Acompanha o Tempo
Com experiência prévia em áreas de conformidade da Meta e do WhatsApp, Durigan argumenta que o Congresso não conseguiria votar novas leis a cada avanço da IA. A proposta defendida junto ao relator na Câmara, deputado Agnaldo Ribeiro (PP-PB), foca em:
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Princípios Gerais: Criar uma base ética sólida.
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Mecanismos Adaptáveis: Regras que possam evoluir em tempo real junto com a tecnologia.







