Falta de vacinação contra covid deixa apenas 5% das crianças brasileiras protegidas

O Brasil enfrenta um desafio preocupante na proteção das crianças contra a covid-19. Dados do Programa Nacional de Imunizações revelam que apenas 5% dos pequenos estão adequadamente imunizados com as três doses recomendadas, apesar da disponibilidade de vacinas nos estoques do Ministério da Saúde. A situação se agrava quando consideramos que em 2026 o país registrou mais de mil internações e 25 mortes de crianças e adolescentes pela doença.
Segundo Eder Gatti, diretor do PNI, a culpa pela baixa adesão recai sobre a disseminação de informações falsas contra os imunizantes, intensificada durante a pandemia e até por membros do governo anterior. Grande parte das famílias brasileiras optou por não vacinar seus filhos por acreditar em alegações infundadas sobre reações adversas e falta de necessidade. O diretor enfatiza que o governo cumpre sua obrigação de distribuir as vacinas, mas enfrenta o desincentivo populacional para utilizá-las, resultando em desperdício de doses que precisam ser descartadas após descongelamento.
Pesquisas científicas comprovam a segurança e eficácia do imunizante. Um estudo da Universidade de São Paulo demonstrou redução de 97% em casos graves em crianças vacinadas. Das mais de 6 milhões de doses aplicadas durante a pandemia, não houve registros de óbitos e 92% das reações foram leves, como febre e dor local. A covid-19, por sua vez, causa complicações graves em proporção muito maior que as vacinas, incluindo a Síndrome Inflamatória Multissistêmica, que deixou 142 crianças mortas entre 2020 e 2023.
Apesar do desafio com a covid-19, o PNI registra avanços em outros imunizantes do calendário infantil. O orçamento do programa quase dobrou nos últimos anos, passando de 5 bilhões para quase 10 bilhões de reais previstos. Em 2022, apenas uma das 16 vacinas oferecidas no primeiro ano de vida atingiu 90% de cobertura; no ano passado, sete ultrapassaram esse patamar. Novas vacinas também foram incorporadas, como a contra o vírus sincicial respiratório para gestantes, que já reduziu casos de bronquiolite em bebês menores de seis meses em mais de 50%.
Com informações de Agência Brasil — fonte original.
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