Aquecimento global acelera expansão de doenças infecciosas no Brasil

As mudanças climáticas estão transformando o cenário de doenças infecciosas no Brasil. A dengue, que era praticamente restrita a regiões quentes e úmidas, agora se espalha por todo o território nacional. O Rio Grande do Sul, que apenas em 2007 registrou seu primeiro caso autóctone, confirmou quase 210 mil infecções e 281 mortes em 2024. Um levantamento da Fundação Oswaldo Cruz revela que o número de microrregiões brasileiras com níveis epidêmicos de dengue passou de 110 para 292 entre 2006 e 2024, abrangendo metade do país.
Os especialistas apontam as anomalias térmicas como principal responsável pela expansão. O mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, encontra condições ideais de reprodução e alimentação em temperaturas mais elevadas. Estudos indicam que este processo de expansão é praticamente irreversível: uma vez que o vírus e o vetor se estabelecem em uma região, dificilmente retorna-se a um cenário de transmissão zero. A doença tropical já chegou a países do Hemisfério Norte, com surtos recordes nos Estados Unidos e casos confirmados na França e Itália.
Além da dengue, outras enfermidades emergem devido ao clima. A febre do Oropouche, antes restrita à Amazônia, causou mais de 12 mil infecções em 23 estados no ano passado. Eventos extremos como enchentes favorecem a disseminação de leptospirose, enquanto secas provocam migrações de roedores portadores de hantavírus, doença com taxa de letalidade de 40% no Brasil. Desde 2016, foram confirmadas 530 infecções e 212 mortes pela enfermidade.
Outra preocupação crescente envolve fungos patogênicos. Com o aumento das temperaturas ambientais, microrganismos antes inofensivos estão se adaptando e ultrapassando a barreira natural da temperatura corporal humana. O exemplo mais crítico é a Candida auris, identificada no Brasil em 2020, com 56 mortes entre 146 pacientes colonizados e taxa de letalidade chegando a 82% em infecções generalizadas. O Trichophyton indotineae, descoberto em 2022, já emergiu com resistência a medicamentos antifúngicos, tornando o tratamento ainda mais desafiador. Especialistas alertam que as mudanças climáticas potencializam esse cenário ao aumentar o uso de fungicidas, acelerando a seleção de cepas resistentes.
Com informações de Agência Brasil — fonte original.
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