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Escala 6×1 Pode Tirar 49 mil Empregos em Pernambuco

Por Redação Portal Digital 01/09/2026 às 12:00 4 min de leitura
Escala 6×1 Pode Tirar 49 mil Empregos em Pernambuco

O fim da escala 6×1 em Pernambuco pode provocar impactos no mercado de trabalho, segundo um estudo divulgado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Pernambuco (Fecomércio-PE). A entidade estima que até 49.866 postos de trabalho formais poderiam ser afetados caso a mudança na jornada seja aprovada.

O levantamento também calcula um impacto potencial de R$ 114,19 milhões por mês em salários e de R$ 554,9 milhões por ano em arrecadação tributária. Os números são estimativas baseadas em dados do mercado formal de trabalho.

O estudo foi realizado durante três meses em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) e a Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Nordeste (Fetracan).

Quantos trabalhadores estão na escala 6×1?

Segundo o levantamento, Pernambuco possui cerca de 2,06 milhões de vínculos formais. Desse total, aproximadamente 1,24 milhão têm jornadas superiores a 40 horas semanais.

Mais de 60% dos vínculos formais do estado estariam atualmente submetidos à escala 6×1. Os maiores volumes estão nos setores de comércio e serviços, com 320 mil e 539 mil vínculos, respectivamente.

A estimativa considera dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de dezembro de 2025.

Fim da escala 6×1 está em discussão no Senado

A divulgação do estudo ocorre em meio à discussão da PEC 221/2019 no Senado. A proposta prevê a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário.

O texto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e agora tramita no Senado. O parecer apresentado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) é favorável à proposta, que pode ser analisada pelos senadores nesta quarta-feira (2).

Se passar pela CCJ, a PEC seguirá para o plenário do Senado. Para ser aprovada, precisará receber pelo menos 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos.

Informações sobre a tramitação da proposta podem ser acompanhadas pelo Senado Federal.

Estudo apresenta dois cenários

A análise da Fecomércio-PE considera dois possíveis cenários para a mudança na legislação trabalhista.

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No primeiro, a jornada semanal cairia de 44 para 40 horas, mantendo os salários atuais. Nesse caso, o estudo estima uma possível redução de vagas entre 18.700 e 87.265 postos. A estimativa central é de 49.866 empregos afetados.

No segundo cenário, a jornada de 44 horas seria mantida, mas o sexto dia trabalhado passaria a ser remunerado como hora extra, com adicional de 100%.

Segundo o estudo, esse modelo poderia elevar os custos das empresas e provocar impactos sobre o consumo das famílias.

Comércio e serviços estão entre os setores mais expostos

Entre as ocupações apontadas como mais expostas estão vendedores do comércio varejista, assistentes administrativos, auxiliares de escritório e trabalhadores de serviços gerais.

No comércio varejista de supermercados, por exemplo, 94,6% dos vínculos analisados estariam na escala 6×1.

A Fecomércio-PE defende que uma eventual mudança seja discutida por meio de negociações coletivas entre trabalhadores e empresas. A entidade afirma que diferentes setores já possuem jornadas inferiores a 44 horas semanais por meio de acordos coletivos.

Transporte também pode sofrer impacto

Outro setor citado no levantamento é o de transporte. Segundo a Confederação Nacional de Transportes (CNT), o fim da escala 6×1 poderia aumentar os custos do frete.

Representantes do setor defendem uma transição gradual e maior discussão sobre os impactos econômicos da mudança.

Debate sobre a escala 6×1 continua

A discussão sobre o fim da escala 6×1 em Pernambuco envolve diferentes interesses. Enquanto defensores da redução da jornada destacam a melhoria das condições de trabalho, entidades empresariais alertam para possíveis aumentos de custos e impactos sobre o emprego.

O estudo da Fecomércio-PE apresenta uma estimativa dos possíveis efeitos econômicos em Pernambuco. A decisão final, porém, dependerá da tramitação e da eventual aprovação da proposta pelo Congresso Nacional.

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