A Operação Chiado voltou a ser destaque nesta quarta-feira (1º), quando a Polícia Federal cumpriu oito mandados de busca e apreensão em Pernambuco e na Paraíba para desarticular uma organização criminosa suspeita de fraudar concursos públicos e praticar lavagem de dinheiro. A ação faz parte da terceira fase da investigação, que já identificou um esquema responsável por fraudes em mais de dez certames públicos realizados na região Nordeste.
Durante a operação, agentes realizaram buscas nas cidades de Recife, Paulista, Goiana, Itaquitinga e João Pessoa. Além da apreensão de dinheiro e documentos, a Justiça Federal determinou o bloqueio de ativos financeiros superiores a R$ 1,3 milhão pertencentes aos investigados.
Como funcionava o esquema de fraude em concursos públicos
Segundo a Polícia Federal, o grupo criminoso possuía uma estrutura organizada e dividida por funções específicas. Entre os integrantes estavam pessoas responsáveis por captar as questões das provas, transmitir as respostas em tempo real por meio de aparelhos eletrônicos e realizar a movimentação financeira dos valores obtidos com o esquema.
As investigações apontam que candidatos utilizavam dispositivos eletrônicos ocultos para receber as respostas durante a realização das provas, comprometendo a lisura dos concursos públicos.
De acordo com a PF, os envolvidos poderão responder pelos crimes de organização criminosa, fraude em certames de interesse público e lavagem de dinheiro. Caso sejam condenados, as penas podem chegar a 24 anos de prisão.
Investigação começou em 2024
A origem da Operação Chiado remonta ao dia 8 de setembro de 2024, quando cinco pessoas foram presas em flagrante durante a aplicação das provas para o cargo de assistente em administração da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
Na ocasião, os suspeitos utilizavam equipamentos de transmissão de áudio e pontos eletrônicos para receber respostas durante o exame, o que levou à abertura da investigação pela Polícia Federal.
Já a primeira fase da operação foi deflagrada em setembro de 2025, resultando na prisão preventiva do líder da organização e de outros dois integrantes. As investigações continuaram ao longo dos meses seguintes, permitindo identificar novos participantes e o fluxo financeiro utilizado para ocultar os recursos obtidos com as fraudes.
Bloqueio de bens fortalece investigação
Além das buscas, o bloqueio judicial de mais de R$ 1,3 milhão representa uma das principais medidas adotadas nesta etapa da operação. O objetivo é impedir a movimentação dos recursos supostamente obtidos por meio das atividades criminosas e garantir eventual reparação aos cofres públicos.
A Polícia Federal informou que as investigações continuam para identificar outros envolvidos e aprofundar o rastreamento do patrimônio da organização criminosa.
Até o momento, não houve prisões nesta terceira fase da Operação Chiado.








