A suposta fraude no Banco Digimais colocou a instituição financeira no centro de uma grande investigação da Polícia Federal. Nesta terça-feira (23), a PF deflagrou a Operação Miragem, que apura possíveis irregularidades financeiras envolvendo o banco controlado pelo empresário e líder religioso Edir Macedo.
A Justiça Federal autorizou o bloqueio de aproximadamente R$ 670 milhões em bens e ativos de investigados. Entre os alvos estão executivos da instituição financeira, dirigentes ligados à administração do banco e gestores de fundos de investimento suspeitos de participação no esquema.
O que é a Operação Miragem?
Segundo a Polícia Federal, a investigação busca esclarecer um suposto esquema de manipulação contábil utilizado para ocultar prejuízos bilionários e inflar artificialmente o patrimônio do Banco Digimais.
Como funcionaria a suposta fraude
De acordo com os investigadores, entre 2023 e 2024 o banco teria emitido Certificados de Depósito Bancário (CDBs) oferecendo rentabilidades acima de 110% do CDI para atrair investidores.
Paralelamente, fundos administrados por uma gestora parceira teriam realizado sucessivas reavaliações de ativos financeiros, aumentando artificialmente seus valores contábeis.
A Polícia Federal afirma que essa prática teria permitido ao banco apresentar uma situação patrimonial mais favorável do que a realidade financeira da instituição.
Edir Macedo e dirigentes aparecem entre os investigados
Embora não tenha sido alvo de mandados de busca por residir fora do Brasil, Edir Macedo está entre os investigados citados no processo. A operação também cumpriu mandados contra executivos do Banco Digimais e empresários ligados à gestão dos fundos de investimento utilizados nas operações sob investigação.
Entre as medidas cautelares determinadas pela Justiça estão bloqueios patrimoniais, apreensão de documentos e análise de movimentações financeiras.
Até o momento, os investigados ainda poderão apresentar defesa ao longo do processo, e a investigação segue em andamento.
Entenda a suspeita de maquiagem contábil
Um dos pontos centrais da investigação envolve um fundo de direitos creditórios que possui participação em uma antiga disputa judicial relacionada à Companhia de Mineração e Siderurgia, incorporada à criação da Vale do Rio Doce.
Segundo a PF, ativos adquiridos inicialmente por cerca de R$ 71 milhões teriam sido reavaliados sucessivamente até atingir valor próximo de R$ 741 milhões.
Os investigadores suspeitam que essas reavaliações tenham sido utilizadas para fortalecer artificialmente o balanço financeiro da instituição.
Caso pode ter impacto no mercado financeiro
Especialistas avaliam que investigações envolvendo instituições financeiras costumam gerar atenção de investidores, reguladores e órgãos de fiscalização.
A depender das conclusões da Operação Miragem, o caso poderá resultar em sanções administrativas, responsabilizações civis e eventuais processos criminais.
Enquanto isso, a Polícia Federal continua analisando documentos, contratos e movimentações financeiras para esclarecer a extensão das supostas irregularidades.







