Com o título “A Memória do rei e o sumiço de Dona Júlia”, a Imperatriz Leopoldinense mergulha nas tradições de Pernambuco para contar uma história real que mistura mistério, espiritualidade e cultura popular. O enredo é assinado pelo carnavalesco Leandro Vieira, conhecido por sua profunda pesquisa sobre o cotidiano do Brasil popular.
A Saga da Calunga Dona Júlia
O enredo gira em torno de uma calunga — boneca sagrada que guarda os fundamentos e a proteção do maracatu — que pertence à Nação Porto Rico, fundada em 1916 em Palmares.
O Mistério do Desaparecimento
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A Saída: Dona Júlia foi levada para um museu em 1978 e, logo depois, dada como desaparecida pela instituição.
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O Reaparecimento: Após 30 anos sumida, a boneca ressurgiu de forma inusitada em 2014. Um estudante a deixou em um terreiro de Olinda, alegando que o objeto “assombrava” sua casa.
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O Reconhecimento: A volta para casa aconteceu após a notícia ser veiculada em um telejornal pernambucano, onde os integrantes mais antigos do Maracatu Porto Rico reconheceram a calunga.
O Sagrado e o Carnaval
Mais do que uma boneca, Dona Júlia carrega um peso espiritual imenso. Confeccionada a mando do babalorixá Eudes Chagas há 60 anos, nela foi ancestralizado o espírito de Maria Júlia do Nascimento (Dona Santa), rainha histórica do Maracatu Elefante.
“O enredo amplia o olhar sobre as tradições dos maracatus de baque virado, revelando-as como espaços para a manutenção de ritos associados à coroação dos reis do Congo”, afirma o carnavalesco Leandro Vieira.
O Que São Calungas?
Para quem não é familiarizado com o Carnaval de Pernambuco, as calungas são figuras centrais:
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Representam a proteção dos ancestrais.
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São tratadas como elementos sagrados e guardiãs do axé da nação.
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Sua perda ou retorno exige a realização de ritos espirituais complexos.








