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Especialistas debatem políticas sobre drogas e justiça social em feira no Ceará

Por Redação Portal Digital 22/09/2026 às 00:32 2 min de leitura
Especialistas debatem políticas sobre drogas e justiça social em feira no Ceará

Participantes da segunda edição da Febre de Arte, realizada em Fortaleza, mobilizaram o público a escolher, nas próximas eleições, representantes políticos comprometidos com o desenvolvimento de estratégias sobre drogas que considerem a dimensão da justiça social. Os debatedores enfatizaram a importância de eleger candidatos com clareza sobre o tema, capazes de formular propostas relevantes e viáveis que realmente beneficiem a população.

A médica Magda Almeida, professora da Universidade Federal do Ceará, destacou como a abordagem atual reduz a questão a posicionamentos ideológicos simplistas. Ela apontou que negros e pobres são os principais atingidos pela chamada guerra às drogas no Brasil e relatou sua experiência clínica com pacientes que recebem prescrições de medicamentos como a pregabalina, cujos efeitos colaterais podem incluir alterações de humor, falhas de memória e pensamentos de automutilação. Segundo dados da Blis Data, mulheres mais velhas e empregadas lideram o consumo de cannabis medicinal importada, principalmente buscando alívio para problemas de sono e dor crônica.

O debate também abordou os impactos sociais da criminalização das drogas. Participantes apontaram a seletividade policial e judicial, o encarceramento em massa de pessoas negras e a relação entre essas políticas e a expansão do crime organizado. Um levantamento do Datafolha mostrou que 68,7 milhões de brasileiros convivem com a presença de facções ou milícias em suas comunidades, enquanto nas capitais essa taxa atinge 55,9%. A violência relacionada também é significativa: 40,1% dos brasileiros sofreram violência nos 12 meses anteriores à pesquisa.

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Advogados e militantes antiproibicionistas ressaltaram a contradição entre a permissão de venda de cannabis em farmácias e a prisão de pessoas por posse para consumo pessoal. O custo dessa política é expressivo: a Pastoral Carcerária Nacional divulgou que famílias gastam em média 70% de um salário mínimo com produtos básicos para detentos, totalizando 4,33 bilhões anuais. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada estima que homicídios relacionados à proibição custam cerca de 50 bilhões de reais por ano ao país.

Com informações de Agência Brasil — fonte original.

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