O Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou, nesta terça-feira (10/03/2026), que as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) são agora vistas oficialmente como ameaças significativas à segurança regional. O comunicado intensifica os rumores de que a administração Trump planeja formalizar a classificação de PCC e CV como organizações terroristas, uma medida que altera drasticamente o tratamento jurídico e operacional dado a esses grupos em solo estrangeiro.
A Visão de Washington: Por que o governo Trump subiu o tom?
Para os Estados Unidos, o alcance transnacional das facções brasileiras deixou de ser uma questão de segurança pública interna do Brasil para se tornar um problema de defesa externa. A nota do Departamento de Estado dos EUA destaca que o envolvimento dessas organizações com o narcotráfico, a violência sistêmica e o crime transnacional desestabiliza vizinhos estratégicos e rotas comerciais.
A designação de um grupo como “organização terrorista estrangeira” permite que o governo americano aplique sanções financeiras severas, bloqueie ativos em dólares e, em última instância, utilize recursos de inteligência e intervenção que são vedados para crimes comuns. No domingo (08/03), o secretário de Estado, Marco Rubio, já havia sinalizado que o país está “totalmente empenhado” em tomar medidas contra grupos que exportam violência para além de suas fronteiras.
A Resistência do Governo Lula: Soberania e Definição Jurídica
Do lado brasileiro, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e o Ministério da Justiça trabalham para conter essa narrativa. Segundo diplomatas ouvidos reservadamente, a classificação de PCC e CV como organizações terroristas não possui base técnica na legislação nacional.
O principal argumento brasileiro repousa na Lei Antiterrorismo (Lei 13.260/2016). De acordo com a norma, o terrorismo exige motivações de xenofobia, discriminação ou preconceito religioso e político. No caso das facções brasileiras, a motivação é estritamente econômica e voltada ao lucro através do crime organizado.
O risco de intervenção militar regional
O maior temor dos conselheiros do presidente Lula é que a etiqueta de “terrorista” sirva como um “cheque em branco” para ações militares americanas na América do Sul. O histórico recente de bombardeios a embarcações em águas internacionais sob o pretexto de combater o tráfico é citado como um precedente perigoso. Se o PCC e o CV forem considerados terroristas, Washington poderia, teoricamente, justificar operações de “segurança nacional” em territórios vizinhos, ferindo o princípio de soberania.
O Xadrez Político no Congresso Nacional
Enquanto o governo federal resiste, a base alinhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro no Congresso Nacional celebra a postura de Trump. Parlamentares de direita defendem a aprovação de um Projeto de Lei que equipara crimes de facções a atos de terrorismo.
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Ponto de Vista da Oposição: O endurecimento da lei facilitaria a extradição e o isolamento financeiro dos líderes das facções.
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Ponto de Vista do Governo: A medida poderia “glamorizar” o crime organizado ou dar a eles um status político que hoje não possuem, dificultando o tratamento jurídico comum.
O Encontro Lula e Trump: O que esperar?
O clima de incerteza paira sobre a reunião entre Lula e Donald Trump, prevista para o próximo dia 16 de março. O chanceler Mauro Vieira tem mantido canais abertos com Rubio para tentar desidratar a ideia da designação terrorista antes do encontro presencial. Contudo, com a pressão interna nos EUA por resultados rápidos no combate às drogas, o Brasil terá que oferecer uma contraproposta robusta de combate ao crime transnacional se quiser evitar uma decisão unilateral da Casa Branca.








