ISSN 1808-4877 Facebook YouTube Instagram
Últimas
Política

Religiões de matriz africana reclamam de invisibilidade nas campanhas eleitorais

Por Redação Portal Digital 22/09/2026 às 01:03 2 min de leitura

Seguidores de religiões de matriz africana e afro-brasileira apontam que não se veem representados nas estratégias políticas das campanhas de 2026. Apesar do crescimento significativo desse segmento populacional, que triplicou entre 2010 e 2022 segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), chegando a 1,8 milhão de pessoas, os candidatos concentram seus esforços principalmente no eleitorado cristão, deixando de lado esse grupo.

Especialistas e religiosos atribuem a negligência ao preconceito enraizado na sociedade brasileira. A advogada e umbandista Lívia dos Santos aponta que a intolerância religiosa é a raiz do problema, explicando que a marginalização histórica e a criminalização dos povos que cultuam orixás impedem o reconhecimento dessas religiões. Para os praticantes, o combate a essa intolerância representa uma agenda fundamental para a democracia, tema protegido pelo Artigo 208 do Código Penal, que prevê pena de um a três anos para discriminação religiosa.

Leonardo Vieira, pai de santo e pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF), reforça que a negligência não se justifica pelo número menor de adeptos em comparação com católicos e evangélicos. Ele critica a concepção equivocada de que os povos de terreiro não conseguem se organizar politicamente, quando, na verdade, possuem estruturas coletivas consolidadas em suas comunidades. Segundo o pesquisador, candidatos que são de matriz afro ou que se aproximam do segmento são mais capazes de conquistar o apoio e voto desses eleitores.

Publicidade

QB3 - MEIO MATERIA

A intolerância religiosa representa um obstáculo concreto para a mobilização política desses grupos, já que muitos enfrentam riscos de violências ao se assumirem como praticantes de religiões afro. Dados do Disque Direitos Humanos (Disque 100) ilustram a gravidade: entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, foram registradas 2.774 denúncias de casos de intolerância religiosa. O serviço, mantido pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, funciona 24 horas por dia e disponibiliza atendimento gratuito.

Com informações de Agência Brasil — fonte original.

Publicidade

FIM DE MATERIA - INTERPLAN