Raimundo Carrero morre aos 78 anos nesta terça-feira (16), no Recife, encerrando uma trajetória marcada por contribuições relevantes à literatura e ao jornalismo brasileiro. Autor premiado, professor de escrita criativa e membro da Academia Pernambucana de Letras, Carrero deixa uma obra que atravessou gerações e consolidou seu nome entre os grandes escritores do país.
Segundo informações da família, o escritor estava internado há uma semana em um hospital da capital pernambucana, onde tratava um câncer em estágio avançado próximo ao pulmão. A notícia provocou grande comoção entre leitores, escritores, jornalistas e admiradores de sua obra.
Quem foi Raimundo Carrero
Nascido em Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, em 20 de dezembro de 1947, Raimundo Carrero iniciou sua trajetória literária ainda jovem. Ao longo da vida, construiu uma carreira sólida como escritor e jornalista, tornando-se uma referência na formação de novos autores.
Além da produção literária, dedicou-se ao ensino da escrita criativa, ajudando centenas de alunos a desenvolver técnicas narrativas e aperfeiçoar seus textos.
Em 2004, passou a integrar a Academia Pernambucana de Letras, reforçando sua importância para a cultura do estado.
Prêmio Jabuti e reconhecimento nacional
Obras que marcaram gerações
Entre os mais de 20 livros publicados por Raimundo Carrero, destacam-se títulos que receberam reconhecimento nacional e internacional.
O maior destaque veio em 2000, quando conquistou o tradicional Prêmio Jabuti com a obra As Sóbrias Ruínas da Alma, uma das mais importantes de sua carreira.
Outros títulos relevantes incluem:
- Somos Pedras que se Consomem;
- Sombra Severa;
- O Delicado Abismo da Loucura;
- O Amor Não Tem Bons Sentimentos;
- Romance do Bordado e da Pantera Negra;
- Colégio de Freiras;
- A Luta Verbal: A Preparação do Escritor.
Pernambuco decreta luto oficial
Após a confirmação da morte, o Governo de Pernambuco decretou luto oficial de três dias em homenagem ao escritor.
Em nota, a governadora Raquel Lyra destacou a relevância de Carrero para a cultura brasileira e ressaltou que sua produção literária continuará inspirando leitores e escritores.
O velório acontece na Academia Pernambucana de Letras, no bairro das Graças, Zona Norte do Recife.
Legado que permanece vivo
A morte de Raimundo Carrero representa uma grande perda para a cultura pernambucana e nacional. Sua escrita, marcada pela profundidade psicológica, influência religiosa e forte identidade nordestina, conquistou espaço entre as mais importantes produções literárias contemporâneas.
Embora sua partida deixe uma lacuna irreparável, suas obras permanecem como testemunho de um autor que dedicou a vida à arte de contar histórias. O legado de Raimundo Carrero continuará inspirando leitores, pesquisadores e novos escritores por muitas gerações.






