Protesto de estudantes da UFF marca início de mobilização nacional contra resultado eleitoral
Estudantes da Universidade Federal Fluminense organizaram um protesto na noite de segunda-feira, 5 de outubro, um dia após o primeiro turno das eleições presidenciais. O ato, convocado pelo Centro Acadêmico Evaristo da Veiga e pela Associação Atlética Acadêmica Camillo Guerreiro, ambos do curso de Direito, buscava canalizar a preocupação dos jovens com os resultados das urnas. A passeata percorreu as ruas de Niterói sob chuva, passando pela reitoria da UFF no bairro de Icaraí, e atraiu moradores que desceram dos prédios e transeuntes que se juntaram à mobilização.
Os universitários expressavam temor com a possibilidade de vitória do senador Flávio Bolsonaro, que obteve 47% dos votos válidos no primeiro turno, superando o presidente Luiz Inácio Lula, que alcançou 45%. A preocupação dos estudantes centrava-se nas propostas do candidato do PL, que incluía transferir as universidades do Ministério da Educação para o de Ciência e Tecnologia, órgão com orçamento inferior. Os jovens também temiam repetição dos cortes vivenciados durante o governo Jair Bolsonaro, quando as universidades federais sofreram contingenciamentos de até 30% das verbas e reduções nas bolsas de pesquisa.
O protesto inicial, que começou como uma reunião restrita entre alunos e professores, cresceu rapidamente. Conforme as horas passavam, centenas de pessoas aderiram ao movimento, levando os organizadores a decidir pela passeata. Os estudantes também erguiram a bandeira do Direito Antifascista, criada em 2018, e receberam apoio de outros cursos, como Relações Internacionais. Embora tenha havido reações hostis, com arremesso de ovos de sacadas, os manifestantes mantiveram o caráter pacífico do ato.
A mobilização em Niterói funcionou como catalisador para protestos que se multiplicaram pelo país durante a semana. Na quarta-feira seguinte, estudantes do Rio ocuparam as ruas do centro da cidade em novo protesto pela defesa da democracia e da educação pública. Manifestações também ocorreram em cidades como Brasília, onde multidões se reuniram na Esplanada dos Ministérios. A sequência de atos integrou a campanha popular pela reversão do resultado eleitoral, focando na mobilização de eleitores indecisos e nulos.
Com informações de Agência Brasil — fonte original.
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