Mendonça Atende Fachin e Retira Sigilo de Processos do Caso Master

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu ao pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, e determinou o levantamento do sigilo de processos relacionados ao caso Master.
A decisão foi tomada pouco tempo depois da solicitação feita por Fachin e ocorre às vésperas de uma sessão extraordinária do STF prevista para a próxima terça-feira (15), quando o plenário deverá analisar questões relacionadas às medidas adotadas durante as investigações.
Mendonça é o relator dos procedimentos e, por isso, cabia a ele decidir sobre o levantamento do segredo de Justiça.
Quais processos tiveram o sigilo retirado?
A decisão determina a retirada do sigilo da Petição 15.556 e de outros 14 procedimentos relacionados à investigação.
Entre os processos liberados estão os Inquéritos 5.026 e 5.035, além de uma reclamação e 11 petições que tramitam no Supremo.
Mendonça também determinou o envio de cópias integrais dos autos à Presidência e aos gabinetes dos ministros do STF. Segundo o despacho, estão sendo adotadas providências administrativas para encaminhar o material em um HD destinado à Corte.
A movimentação amplia o acesso dos integrantes do tribunal aos documentos que fazem parte da investigação.
Pedido de Fachin ocorreu antes de sessão extraordinária
Fachin havia solicitado que todos os procedimentos contidos ou relacionados à investigação fossem encaminhados à Presidência e aos gabinetes dos ministros.
A medida ocorre em meio a uma crise institucional envolvendo integrantes do STF e às discussões sobre a condução das investigações relacionadas ao caso Master.
Parte dos ministros teria questionado a forma como determinadas medidas foram conduzidas e defendido que uma investigação envolvendo um integrante da própria Corte deveria ser submetida previamente ao plenário.
Mensagens entre Moraes e Vorcaro já haviam sido liberadas
Na semana anterior, Mendonça já havia retirado o sigilo de mensagens que fazem parte do relatório da Polícia Federal e envolvem o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O material reúne 52 mensagens enviadas por Vorcaro para um número identificado pelos investigadores como pertencente a Moraes.
A divulgação dos documentos aumentou as tensões entre ministros e passou a integrar o debate sobre a condução das investigações.
Medidas adotadas durante a crise
No decorrer do caso, Moraes pediu a investigação de Mendonça. Em outro momento, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada.
As decisões foram posteriormente suspensas por Fachin, que também retirou de Moraes a relatoria de um inquérito relacionado ao caso.
Na última sexta-feira, Fachin retirou do inquérito das fake news o pedido de investigação contra Mendonça e determinou que os envolvidos prestassem esclarecimentos.
O presidente do STF também estabeleceu que decisões envolvendo ministros da Corte deveriam passar pela Presidência.
Plenário do STF deve analisar o caso na terça-feira
A sessão extraordinária marcada para 15 de setembro deverá discutir o processo relacionado às medidas determinadas por Mendonça e a possibilidade de abertura de investigação envolvendo Moraes.
O caso será analisado pelo plenário do Supremo, que poderá avaliar os procedimentos adotados durante a investigação e os próximos encaminhamentos.
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