ISSN 1808-4877 Facebook YouTube Instagram
Últimas
Brasil

Mães cobram justiça um ano após operação que deixou 122 mortos no Rio

Por Redação Portal Digital 28/10/2026 às 22:51 2 min de leitura

Um ano após a Operação Contenção deixar 122 pessoas mortas nos Complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, mães e familiares das vítimas realizaram ato de memória nesta quarta-feira para cobrar respostas da Justiça. A incursão policial, ocorrida em outubro de 2025, foi a operação mais letal do estado em 40 anos. Durante o protesto na Vila Cruzeiro, na Penha, as famílias denunciaram a naturalização da violência e questionaram a aplicação desigual da lei de acordo com a localização geográfica das pessoas.

Tauã Brito, confeiteira e mãe de Wellington Brito, jovem de 20 anos morto na operação, foi uma das principais vozes no ato. Ela fez comparação entre a morte de pessoas em favelas e a abordagem policial em bairros de classe média alta, como a Barra da Tijuca. Conforme Tauã, uma grande apreensão de armas realizada em condomínio de luxo em maio de 2025 resultou em apenas sete presos, sem qualquer morte. Ela reforçou que segurança verdadeira significa proteger a vida e que justiça não pode ser privilégio de quem tem dinheiro ou poder.

Outras mães também participaram do ato compartilhando histórias de perdas e frustração com a falta de respostas. Maria Edvalda perdeu seu filho Cleiton Cesar aos 32 anos, enquanto Ana Paula Muniz enterrou seu filho Diego dos Santos um dia antes do aniversário dele. As famílias denunciaram que, decorrido um ano, não tiveram acesso aos laudos periciais nem aos depoimentos dos investigadores. Elas também criticaram possível manipulação de evidências e questionam a participação do Ministério Público na autorização da operação.

Publicidade

QB3 - MEIO MATERIA

Ativistas e jovens moradores também utilizaram o espaço para cobrar ações do Estado na comunidade. Denunciaram que a rotina relacionada ao crime não mudou desde a operação e pediram que o poder público invista em serviços públicos e projetos sociais, além de rever a postura violenta da polícia com a juventude negra periférica. Organização internacional de direitos humanos divulgou nota apontando indícios de desvios de conduta policial, incluindo padrão de ferimentos compatível com execuções intencionais.

Com informações de Agência Brasil — fonte original.

Publicidade

FIM DE MATERIA - INTERPLAN