Brasil sobe no ranking mundial de pesquisas clínicas após aprovação de nova lei

O Brasil está conquistando espaço no cenário internacional de pesquisas clínicas. A aprovação de uma lei específica sobre o tema, sancionada em maio de 2024 e regulamentada em outubro de 2025, tem impulsionado a participação do país em estudos globais. Segundo dados da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), a posição brasileira subiu da 18ª para a 12ª colocação entre os países que mais realizam esses testes. Com investimentos previstos acima de R$ 2 bilhões anuais, a expectativa é que o Brasil alcance a 10ª posição em breve.
A Lei 14.874, conhecida como Lei de Pesquisa Clínica, é o primeiro marco legal específico do Brasil para regular essa atividade. Antes, o setor era controlado apenas por normas do Conselho Nacional de Saúde e da Anvisa. A nova legislação criou o Sistema Nacional de Ética em Pesquisa com Seres Humanos e acelerou significativamente os processos. O parecer ético agora deve ser emitido em até 30 dias úteis, enquanto a avaliação da Anvisa leva no máximo 90 dias úteis. Além disso, em estudos multicêntricos, as análises ética e sanitária passam a ocorrer em paralelo, reduzindo prazos que antes chegavam a um ano.
A agilidade regulatória coloca o Brasil em posição vantajosa internacionalmente. O país já era procurado por pesquisadores por causa da diversidade genética de sua população, o que proporciona resultados confiáveis para grupos variados. Com as novas regras, o Brasil passa a atrair também estudos de Fase 1 e 2, que envolvem poucos participantes mas têm requisitos de segurança mais rigorosos. A Roche, por exemplo, pretende investir cerca de R$ 590 milhões anuais em pesquisas clínicas no país, com medicações sendo testadas para Alzheimer, Parkinson, câncer de mama e lúpus.
Os investimentos também beneficiam o desenvolvimento científico regional. Empresas farmacêuticas estão capacitando centros de pesquisa nas regiões Norte e Nordeste para reduzir a concentração no Sul e Sudeste, ampliando a diversidade genética, social e cultural dos estudos. Essa estratégia alinha-se com o Programa Nacional de Inovação em Saúde, lançado pelo governo federal em julho, que busca fortalecer a base científica nacional e integrar o setor produtivo.
O movimento brasileiro integra uma agenda de toda a América Latina para profissionalizar o setor de pesquisa clínica. Representantes de países da região concordam que a estruturação de centros e o desenvolvimento de carreiras profissionais são essenciais para reduzir a concentração de estudos nos Estados Unidos e Europa. A iniciativa também abre portas para que pacientes com doenças graves acessem medicamentos promissores ainda em fase de teste.
Com informações de Agência Brasil — fonte original.
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