A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa preventivamente na manhã desta quinta-feira (21/05/2026). A Operação Vérnix, conduzida pelo MP-SP e pela Polícia Civil, investiga um bilionário esquema de lavagem de dinheiro ligado à cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Deolane, que passou as últimas semanas em Roma, na Itália, chegou a ter seu nome incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol antes de retornar ao Brasil na quarta-feira. A Justiça determinou o sequestro de R$ 27 milhões em bens da influenciadora, além do bloqueio de contas de seu filho de criação, Giliard Vidal dos Santos.
O Esquema: Transportadora e “Smurfing”
A investigação, que começou ainda em 2019 a partir de bilhetes apreendidos na Penitenciária de Presidente Venceslau, descobriu que o PCC utilizava uma empresa de transportes de carga como braço financeiro.
Ao extrair dados do celular de Ciro Cesar Lemos, operador do esquema, a polícia encontrou comprovantes de depósitos diretamente nas contas de Deolane. A influenciadora teria utilizado duas táticas principais para ocultar o dinheiro:
-
Smurfing: Entre 2018 e 2021, Deolane recebeu R$ 1.067.505 em depósitos em espécie fracionados (sempre abaixo de R$ 10 mil) para burlar os alertas automáticos do Coaf e do Banco Central.
-
Empresas de Fachada: Foram identificados quase 50 depósitos (somando R$ 716 mil) de um suposto “banco de crédito” para as empresas de Deolane. O dono desse banco, no entanto, é um laranja que recebe apenas um salário mínimo por mês.
A polícia destaca que a projeção pública e as redes sociais de Deolane serviam como uma “camada de aparente legalidade” para justificar o patrimônio sem lastro econômico real. Não foram encontradas prestações de serviços jurídicos que justificassem as cifras.
Cúpula do PCC Entre os Alvos
Ao todo, a Operação Vérnix expediu 6 mandados de prisão preventiva e determinou o bloqueio de R$ 357,5 milhões em ativos financeiros, além do sequestro de 39 carros de luxo. Entre os principais alvos ao lado de Deolane estão:
-
Marcola (Marco Herbas Camacho) e seu irmão Alejandro Camacho (as ordens foram notificadas nos presídios federais).
-
Paloma e Leonardo Camacho (sobrinhos de Marcola, operando na Espanha e Bolívia).
-
Everton de Souza (“Player”): Apontado como o operador que indicava as contas de Deolane para fechar o caixa mensal da facção.







