Vídeos falsos com IA superam fake news como maior ameaça à democracia

A inteligência artificial e os vídeos manipulados tomaram o lugar das tradicionais notícias falsas como principal risco digital para a democracia brasileira. O alerta vem do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), que divulgou nesta semana um guia sobre internet, democracia e eleições. Comparando com 2018, quando a primeira edição foi lançada, houve mudanças significativas na forma como a desinformação circula e se propaga entre os brasileiros.
O cenário atual revela transformações importantes nas estratégias de disseminação de conteúdos falsos. Se antes o Facebook e redes abertas eram os principais canais, agora aplicativos como WhatsApp dominam a propagação. Os vídeos tornaram-se o formato mais utilizado, frequentemente acompanhados por textos curtos que reforçam narrativas mentirosas. A desinformação não fica mais restrita a uma plataforma, mas circula simultaneamente em vários meios, atingindo públicos cada vez mais específicos através de algoritmos sofisticados.
Segundo o CGI.br, as preocupações com vídeos falsificados giram em torno do realismo cada vez maior. Como essas técnicas evoluem constantemente, conseguem enganar até pessoas acostumadas a avaliar conteúdos online. Além disso, esse tipo de material alimenta desconfiança generalizada sobre toda e qualquer informação, minando a credibilidade até de notícias verdadeiras. A perda de confiança em instituições como imprensa e Judiciário, combinada com polarização política, intensifica o problema.
O guia aponta outro efeito preocupante: pessoas tendem a consumir apenas conteúdos que confirmem suas convicções prévias, descartando informações contraditórias. Esse mecanismo, conhecido como racionalidade motivada, reforça ideologias e fragmenta o debate público. O documento também alerta que influenciadores digitais, ao contrário de jornalistas, não seguem códigos de ética nem respondem institucionalmente pela precisão do que divulgam. Diante dessa realidade, o CGI.br oferece diretrizes para instituições combaterem a desinformação e orienta cidadãos a não se tornarem vítimas ou propagadores de conteúdos enganosos.
Com informações de Agência Brasil — fonte original.
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