ISSN 1808-4877 Facebook YouTube Instagram
Últimas
Brasil

Investimento em segurança pública privilegia polícias em detrimento de reintegração social

Por Redação Portal Digital 17/09/2026 às 23:31 2 min de leitura
Investimento em segurança pública privilegia polícias em detrimento de reintegração social

Um levantamento do centro de pesquisa Justa apresentado no 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública expõe um descompasso significativo na distribuição de recursos de segurança pública nos estados brasileiros. Para cada real investido em políticas exclusivas para pessoas que saem do sistema prisional, os governos gastam mais de cinco mil reais com as polícias.

Os números revelam a magnitude do problema: em 2025, os estados direcionaram R$ 5.423 para as corporações policiais contra apenas R$ 1 destinado a programas de reintegração social. O sistema prisional recebeu R$ 1.169 por cada real gasto em políticas para egressos. A pesquisa analisou dados de 26 unidades federativas, com exceção do Acre, e constatou que essa desigualdade intensificou-se em relação ao ano anterior.

Dentro do orçamento dedicado às polícias, que passou de R$ 87,5 bilhões em 2024 para R$ 103,5 bilhões em 2025, há outra concentração preocupante. As Polícias Militares absorvem 58,6% dos recursos com o patrulhamento ostensivo, enquanto as Polícias Civis, responsáveis por investigações, recebem apenas 21,5%. As corporações técnico-científicas, essenciais para produção de provas, ficam com 2,7%. Segundo pesquisadores, essa estrutura de gastos favorece um modelo de encarceramento em massa com fragilidades na apuração de crimes.

Publicidade

VISTA COLINA - MEIO MATERIA

No sistema penitenciário, o cenário também preocupa. Dos R$ 22,3 bilhões gastos em 2025, aproximadamente R$ 13,7 bilhões referem-se ao encarceramento de pessoas negras. Na porta de saída do sistema, apenas R$ 19 milhões foram investidos em políticas exclusivas para egressos em 2025, quantia praticamente estagnada em relação ao ano anterior. Apenas sete estados mantêm programas específicos nessa área, deixando milhares de pessoas sem acesso a documentação, moradia, saúde e oportunidades de trabalho após cumprirem suas penas.

Com informações de Agência Brasil — fonte original.

Publicidade

FIM DE MATERIA - INTERPLAN