Copom eleva taxa Selic para 14,25% ao ano
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou a elevação da taxa Selic em um ponto percentual, passando de 13,25% para 14,25% ao ano. Essa é a quinta alta consecutiva dos juros básicos, igualando o patamar registrado entre 2015 e 2016, durante um período de forte crise econômica no Brasil.
O aumento da taxa de juros é uma estratégia para conter a inflação, que fechou fevereiro em 1,31%, acumulando alta de 5,06% nos últimos 12 meses. A meta do Banco Central é reduzir a inflação para 3% até 2026.
Como a alta da Selic afeta sua vida?
1. Empréstimos e financiamentos mais caros
- O crédito fica mais caro para consumidores e empresas.
- Taxas de cartão de crédito e cheque especial sobem.
- Financiamentos imobiliários se tornam menos acessíveis.
2. Redução do consumo
- Compras parceladas ficam menos atrativas.
- Setores como varejo e construção civil sofrem com a queda na demanda.
- Empresas tomam menos crédito para investir e expandir.
3. Inflação sob controle
- Com menos consumo, os preços tendem a se estabilizar.
- Produtos e serviços podem sofrer redução de valores.
4. Maior rentabilidade para investimentos
- Aplicativos financeiros como poupança, CDBs e Tesouro Direto passam a render mais.
- Investidores podem migrar para renda fixa, reduzindo o interesse por ações.
5. Valorizacão do real
- Juros altos atraem investidores estrangeiros.
- O real se fortalece frente ao dólar, impactando importações e exportações.
Impactos na economia brasileira
Segundo o economista Sandro Prado, a elevação da Selic é uma “política monetária restritiva”, que busca reduzir a inflação desacelerando o consumo e o investimento. No entanto, isso pode gerar efeitos colaterais, como desaceleração econômica e aumento do desemprego.
O setor produtivo é um dos mais impactados. “Empresas que dependem de crédito para expandir seus negócios enfrentarão um cenário adverso. O retorno esperado dos investimentos pode não compensar os custos financeiros mais elevados, reduzindo a atratividade de novos projetos”, afirma Prado.
A Selic alta também pressiona o orçamento público, pois encarece os títulos do Tesouro Nacional, elevando os gastos com a dívida pública. Isso pode levar o governo a cortar investimentos ou aumentar tributos para equilibrar as contas.
O que esperar para os próximos meses?
A previsão do Banco Central é que a inflação comece a desacelerar, permitindo um possível afrouxamento da política monetária no futuro. No entanto, fatores externos, como políticas econômicas globais e oscilações do mercado financeiro, podem influenciar os rumos da taxa de juros no Brasil.