Tarifaço de Trump pode reduzir em até 70% exportações de frutas do Vale do São Francisco
A recente tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos às exportações brasileiras ameaça diretamente os produtores de manga e uva do Vale do São Francisco, no Sertão de Pernambuco. A medida, anunciada pelo presidente Donald Trump, pode gerar prejuízos milionários para uma das regiões mais importantes do agronegócio brasileiro.
Produção pronta, exportações paradas
O Vale do São Francisco, responsável por 1,25 milhão de toneladas de manga ao ano, exporta cerca de 253 mil toneladas, movimentando US$ 348 milhões. Para os Estados Unidos, principal destino, são enviadas aproximadamente 50 mil toneladas anuais. Com a nova tarifa, o volume pode cair para apenas 13 mil toneladas, segundo Tássio Lustosa, gerente da Valexport.
Além do impacto financeiro, o tempo é um desafio. Como as mangas levam até 30 dias para chegar aos EUA, a maturação precisa estar no ponto certo. “Se atrasar, perde o tempo de prateleira e não serve mais para exportação”, alerta o agrônomo Emerson Costa.
O setor de uvas enfrenta situação semelhante. Em 2023, foram exportadas 13.800 toneladas para os EUA. Agora, a previsão é de superoferta no mercado interno, derrubando preços e comprometendo os custos de produção.
Efeitos no emprego e economia regional
A incerteza já freou contratações temporárias. Uma única propriedade, que costuma contratar 700 trabalhadores por safra, ainda não iniciou os processos seletivos. Para Jailson Lira, presidente da COOPEXVALE, “redirecionar toda essa produção ao mercado interno vai pressionar preços e inviabilizar custos”.
A situação também preocupa a Embrapa, que prevê atrasos nas exportações e volumes reduzidos enquanto os produtores avaliam o cenário semana a semana.
Busca por soluções e negociações
A Abrafrutas defende a retirada de frutas da lista de produtos taxados, destacando que redirecionar para a Europa ou manter no mercado interno não será sustentável.
“Precisamos resolver isso com diálogo e bom senso. Exportar para a Europa derruba preços lá fora e manter no Brasil também é inviável”, explica Guilherme Coelho, presidente da entidade.
Enquanto setores como o aeronáutico e parte do energético foram incluídos nas exceções da tarifa de 50%, o agronegócio segue entre os mais prejudicados.







