A Raquel Lyra exonera servidor comissionado do Governo de Pernambuco após denúncias sobre a existência de uma suposta estrutura de ataques políticos nas redes sociais. A exoneração de Amisadai Andrade da Silva foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta quarta-feira (26), um dia depois de uma reportagem da TV Record apresentar acusações relacionadas a um possível “gabinete do ódio” contra o candidato ao governo de Pernambuco João Campos.
A denúncia ocorre durante o período eleitoral de 2026 e envolve os dois principais nomes da disputa pelo Palácio do Campo das Princesas.
A governadora Raquel Lyra, candidata à reeleição pelo PSD, negou que exista uma estrutura desse tipo dentro do governo estadual.
Exoneração ocorre após denúncia sobre supostos ataques
Amisadai Andrade da Silva é funcionário concursado da Caixa Econômica Federal e estava cedido ao Governo de Pernambuco. Ele ocupava o cargo de superintendente de operações da Arena de Pernambuco, vinculada à Secretaria de Turismo e Lazer.
De acordo com informações do Portal da Transparência, ele havia sido nomeado para a função em abril de 2025.
A reportagem que motivou a repercussão do caso apontou uma suposta rede de páginas e perfis nas redes sociais que seria utilizada para ataques contra adversários políticos do governo.
Segundo a denúncia, Amisadai teria afirmado que foi visto como um possível canal para “desidratar” João Campos. A acusação, no entanto, é contestada pelo governo estadual.
João Campos pede investigação
O candidato João Campos se pronunciou sobre o caso e afirmou que existe uma suposta estrutura organizada para promover ataques contra ele, familiares e aliados.
O ex-prefeito do Recife declarou que pretende recorrer à Justiça para investigar os responsáveis e buscar a responsabilização de quem eventualmente estiver envolvido.
O caso também chegou à Justiça Eleitoral. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), o PSB apresentou uma ação cautelar relacionada à atuação de grupos no ambiente digital, com objetivo de produzir e preservar provas.
O processo tramita em segredo de Justiça.
Raquel Lyra nega existência de gabinete do ódio
Após a repercussão das denúncias, Raquel Lyra afirmou que as acusações são falsas e anunciou que pretende adotar medidas relacionadas à reportagem.
Em nota, a governadora também acusou adversários políticos de utilizar práticas semelhantes e reafirmou seu compromisso com a democracia.
Sobre a exoneração de Amisadai, o governo informou que a decisão foi tomada após a repercussão do caso, mas ressaltou que não reconhece a existência de uma estrutura de ataques políticos dentro da administração estadual.
Portal de Prefeitura contesta acusações
A denúncia também citou o Portal de Prefeitura, veículo que teve Amisadai como sócio até 2024.
Segundo a empresa, ele não faz parte do quadro societário desde aquele ano e não representa o portal atualmente.
O veículo também negou participação em qualquer suposta rede organizada para atacar candidatos nas eleições de 2026. Em nota, afirmou que seus contratos de publicidade seguem critérios legais e que está à disposição das autoridades para colaborar com eventuais investigações.
Governo explica contratos de publicidade
A Secretaria de Comunicação do Governo de Pernambuco também se manifestou sobre os valores destinados ao veículo citado nas denúncias.
Segundo a pasta, a publicidade institucional é realizada por meio de agências contratadas mediante licitação e segue critérios técnicos relacionados à audiência, alcance e custos.
O governo afirmou ainda que os pagamentos são acompanhados de comprovação de veiculação e estão disponíveis no Portal da Transparência.
Caso deve continuar na Justiça Eleitoral
A exoneração ocorre em meio à disputa eleitoral em Pernambuco e enquanto a Justiça Eleitoral analisa a ação apresentada pelo PSB.
Até o momento, as acusações sobre a existência de um suposto “gabinete do ódio” ligado ao Governo de Pernambuco permanecem como denúncias e são negadas pela governadora e pelo governo estadual.
O avanço da ação judicial poderá esclarecer a origem dos perfis citados e eventual participação de agentes públicos ou particulares.
O caso também chama atenção para o papel das redes sociais nas eleições de 2026 e para a necessidade de investigação sobre possíveis práticas de desinformação e ataques políticos no ambiente digital.






