Pernambuco enfrenta agravamento da crise hídrica
A situação da água em Pernambuco voltou a gerar grande preocupação. De acordo com a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), 16 reservatórios já entraram em colapso, sendo 14 no Sertão e dois no Agreste. Entre eles, estão barragens estratégicas para o abastecimento do estado, como Jucazinho, Entremontes e Chapéu, todas com volumes críticos.
O cenário reflete os efeitos da estiagem prolongada e da falta de chuvas significativas em bacias hidrográficas, o que compromete diretamente o armazenamento de água.
Reservatórios em colapso e volumes críticos
Entre os reservatórios mais afetados estão:
- Parnamirim (Parnamirim) – 0% da capacidade
- Serrinha/Serraria (Brejinho) – 0%
- Chapéu – 0,16%
- Pau Branco – 0,29%
- Arrodeio – 0,29%
- Eng. Gamacho – 0,91%
- Entremontes – 1,47%
- Jucazinho – 2,5%
- Quebra Unha – 2,55%
- Abóboras – 3,01%
- Boa Vista (Itapetim) – 3,07%
- Araripina (Baixio) – 3,58%
- Machado – 4,5%
- Rancharia – 4,8%
- Boa Vista (Salgueiro) – 7,01%
- Serrote – 8,88%
A Barragem de Entremontes, a terceira maior do estado, está com apenas 1,47% da capacidade. Já Jucazinho, uma das principais do Agreste, caiu para 2,5%.

Entenda os impactos da seca em Pernambuco
Segundo o gerente de Monitoramento Hidrológico da Apac, Kássio Kramer, a situação é consequência de vários fatores, como a ausência de chuvas, alta evaporação e consumo intenso para abastecimento humano e irrigação.
Em contrapartida, barragens de maior porte como Serro Azul (Palmares) e Carpina (Lagoa do Carro) apresentam índices um pouco melhores, variando entre 16% e 28%, mas ainda em situação de alerta.
A Apac divulga diariamente o boletim oficial de reservatórios e disponibiliza dados atualizados no Geoportal, permitindo acompanhamento público.
Jucazinho: desafio para abastecer 13 cidades
A Barragem de Jucazinho, responsável pelo abastecimento de 13 municípios do Agreste, está entre os maiores desafios. Em fevereiro de 2025, registrava 4,6% da capacidade, mas caiu para 2,57% em agosto, mesmo após ações emergenciais.
Entre as medidas adotadas pela Compesa estão:
- Utilização das águas do Rio São Francisco, transportadas pela Adutora do Agreste.
- Obras emergenciais com balsas flutuantes e nova tomada de água.
- Intervenções em sistemas de abastecimento para redirecionar água a cidades prioritárias.
A previsão é de que as obras da ETA Alto Capibaribe, em Santa Cruz do Capibaribe, sejam entregues até outubro, aumentando a oferta em 200 litros por segundo.
Medidas emergenciais e futuro incerto
Apesar dos investimentos, como o Lote 4B da Adutora do Agreste, que liga Caruaru a Santa Cruz do Capibaribe e Toritama, com 95% da tubulação já concluída, especialistas alertam que a solução definitiva depende de chuvas regulares e de políticas públicas mais amplas de gestão hídrica.
O histórico da barragem de Jucazinho mostra a gravidade da crise: em 2016, o volume chegou a apenas 1%, o menor índice já registrado.
A crise hídrica em Pernambuco é uma realidade que impacta diretamente milhares de pessoas e compromete a segurança hídrica do estado. O monitoramento constante, aliado a ações emergenciais e estruturantes, será essencial para mitigar os efeitos da estiagem.
Enquanto a população aguarda por soluções definitivas, o cenário reforça a necessidade de investimentos em infraestrutura hídrica, combate ao desperdício e estratégias de convivência com o semiárido.
Imagens: Compesa








