A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia divulgaram, na sexta-feira (28), as novas orientações para o manejo de alterações da tireoide durante a gravidez. As recomendações foram apresentadas durante o 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, no Rio de Janeiro, e representam a primeira atualização em sete anos.
A principal mudança diz respeito às gestantes que apresentam anticorpos contra a tireoide (anti-TPO) positivos, mas com funcionamento normal da glândula. Segundo as novas diretrizes, essas mulheres não devem receber levotiroxina como tratamento preventivo, já que pesquisas recentes não comprovaram redução no risco de abortamento ou parto prematuro. O subcoordenador do Departamento de Tireoide da sociedade, Cleo Mesa Júnior, ressalta que o anticorpo positivo apenas indica predisposição à doença, não a sua presença efetiva.
Outra mudança significativa envolve a estratégia de rastreamento. Enquanto a diretriz internacional recomenda testar apenas gestantes com fatores de risco, o Brasil mantém o rastreamento precoce de todas as gestantes desde o início da gravidez. A decisão considera que testes seletivos podem deixar de identificar alterações em mulheres sem os fatores de risco tradicionais. Os critérios de risco foram revistos, mantendo histórico de doenças autoimunes, cirurgias na tireoide e infertilidade, mas removendo idade materna, obesidade e número de gestações anteriores.
Para o hipotireoidismo subclínico, o tratamento com levotiroxina agora é focado no primeiro trimestre, período em que o desenvolvimento fetal depende mais do hormônio materno. Gestantes que apresentam alterações detectadas após a 12ª semana devem apenas acompanhar a função da glândula, sem iniciar medicação, exceto em casos de TSH muito elevado. A suplementação de iodo, por sua vez, deve ser individualizada, especialmente para mulheres com dietas restritivas ou veganas.
Com informações de Agência Brasil — fonte original.






