Diagnóstico tardio de esclerose múltipla piora progressão da doença, aponta pesquisa

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Uma pesquisa realizada pela HSR Health em parceria com a Roche Farma e divulgada pela Associação Brasileira de Esclerose Múltipla traz dados preocupantes sobre o diagnóstico da doença no país. O levantamento, que entrevistou 368 pessoas em tratamento, mostrou que mais de um quarto dos pacientes aguarda mais de cinco anos até confirmar a esclerose múltipla, enquanto 14,1% levam uma década ou mais. Além disso, 56,8% recebem diagnósticos incorretos antes da confirmação definitiva, retardando o início do tratamento adequado.

Segundo o neurologista Rodrigo Kleinpaul, coordenador do Ambulatório de Neuroimunologia do Hospital das Clínicas da UFMG, a demora na confirmação da doença favorece danos permanentes no cérebro e na medula espinhal. O especialista explica que essa progressão pode levar o paciente a uma incapacidade definitiva. Em média, os pacientes passam por até quatro médicos diferentes antes de receber o diagnóstico correto. As principais barreiras identificadas são a falta de conhecimento dos profissionais de saúde (36%), a indisponibilidade ou alto custo de exames como ressonância magnética (23%), além de questões relacionadas ao acesso e custos do diagnóstico.

A dificuldade diagnóstica ocorre porque os sintomas iniciais da esclerose múltipla são parecidos com outras doenças. Embaçamento visual pode ser interpretado como problema de visão, enquanto dormência e formigamento são frequentemente associados a quadros de ansiedade. Conforme destaca Kleinpaul, esses sintomas costumam melhorar sozinhos no início, gerando ainda mais atrasos. O caso de Lucimara de Lima Santana, educadora física de 44 anos, ilustra bem essa realidade: levou quatro anos visitando diferentes especialistas em São Paulo antes de descobrir a doença.

Apesar dos desafios no diagnóstico, a pesquisa revelou avanços no tratamento. Atualmente, 48% dos pacientes entrevistados estão com a doença sob controle ou em remissão, e 39% mantêm-se economicamente ativos. Kleinpaul destaca que, diferentemente de uma década atrás, o tratamento moderno consegue impedir progressões severas que levavam pacientes à cadeira de rodas. Contudo, obstáculos persistem: 41,2% dos entrevistados deixaram de realizar o tratamento ou remarcaram consultas por dificuldades de acesso, enquanto 73,4% deixaram de realizar atividades desejadas por problemas emocionais relacionados à doença.

Com informações de Agência Brasil — fonte original.

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