Dívida dos EUA ultrapassa 40 trilhões de dólares por causa de guerras, tarifas e cortes de impostos

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Os Estados Unidos atingiram pela primeira vez na história uma dívida pública superior a 40 trilhões de dólares. Especialistas consultados identificam três fatores principais por trás desse número recorde: a redução de impostos para os mais ricos, a inflação provocada pela guerra no Oriente Médio que elevou preços de combustíveis, e as tarifas de importação impostas pelo governo Trump. Além disso, contribuem para a situação os gastos militares mantidos em patamares elevados, próximos a 1 trilhão de dólares, e o aumento significativo dos juros sobre a dívida, que chegou a 1,1 trilhão de dólares, mais que o dobro comparado a 2021.

Embora o número assuste, economistas descartam risco iminente de insolvência norte-americana. O professor Pedro Paulo Zahluth Bastos, da Unicamp, explica que os EUA não correm esse risco porque emitem sua própria moeda e o dólar funciona como principal reserva monetária global. O Banco Central americano pode comprar títulos quando necessário, como fez em 2020 ao expandir seu balanço em quase 3 trilhões de dólares em apenas três meses. Dois terços da dívida permanecem em mãos domésticas, reduzindo riscos de calote.

O verdadeiro problema, segundo os especialistas, reside nos juros crescentes dos títulos do Tesouro americano e no que chamam de “risco Trump”. A política econômica agressiva da Casa Branca, incluindo conflitos tarifários e ameaças a aliados, gera incertezas que pressionam os juros cobrados. Os rendimentos dos títulos de 30 anos atingiram 5,33% em agosto, maior nível desde 2007. Governos como Brasil e China já reduzem suas holdings de títulos americanos por desconfiança na política externa norte-americana.

A questão fiscal também revela disparidade na arrecadação. O governo Trump aprovou em 2025 cortes de impostos que aumentam a previsão de déficit em 4,7 trilhões de dólares em uma década, enquanto reduz gastos públicos em saúde. A receita de imposto sobre lucros caiu 23% no ano fiscal atual. Especialistas argumentam que o problema não é gasto excessivo, mas arrecadação insuficiente: a carga tributária americana é de apenas 25% do PIB, contra 34% na média dos países desenvolvidos.

Com informações de Agência Brasil — fonte original.

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