Alimentos Podem Subir até 19,9% Após Impactos de El Niño

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Os preços dos alimentos após El Niño podem registrar uma forte alta no Brasil, segundo projeções de um estudo realizado pelo Rabobank. Em um cenário de ocorrência de um fenômeno climático intenso, produtos in natura, como carnes, frutas, verduras e hortaliças, poderiam acumular aumento de até 19,9%.

O levantamento considera o comportamento dos preços em episódios anteriores e aponta que os impactos sobre a produção agrícola podem chegar ao consumidor meses depois. A estimativa é que o pico da alta ocorra em até seis meses após os efeitos climáticos.

As projeções para os próximos meses também indicam uma possibilidade elevada de formação do fenômeno, que pode provocar alterações importantes no clima e afetar regiões produtoras.

Alimentos in natura podem sofrer maior impacto

De acordo com o estudo, os alimentos mais suscetíveis às mudanças provocadas pelo fenômeno são os produtos in natura.

Em um cenário de El Niño forte, a projeção aponta para uma alta de até 19,9% nesses alimentos. Já os produtos utilizados na alimentação dentro de casa poderiam registrar aumento estimado em 6,32%.

A elevação dos preços está relacionada principalmente aos efeitos que as mudanças climáticas podem provocar sobre a produção, a oferta e a distribuição dos alimentos.

No Brasil, a produção agrícola é um dos setores que pode ser diretamente impactado pelas variações do clima. Informações sobre agricultura e abastecimento podem ser acompanhadas no Ministério da Agricultura e Pecuária.

O que é o El Niño?

O El Niño é um fenômeno climático associado ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração interfere nos padrões climáticos em diferentes partes do planeta.

No Brasil, os efeitos podem variar conforme a região. Em algumas áreas, o fenômeno pode contribuir para períodos de seca, enquanto outras podem registrar chuvas acima da média.

Essas alterações podem prejudicar lavouras, reduzir a produtividade e afetar a oferta de determinados produtos, criando pressão sobre os preços dos alimentos.

Estudo analisou episódios anteriores do fenômeno

Para chegar às estimativas, o Rabobank comparou dados do Índice Oceânico Niño (ONI) com o comportamento da inflação dos alimentos consumidos pelas famílias brasileiras durante episódios anteriores de El Niño.

O ONI é um dos indicadores utilizados para acompanhar a intensidade das alterações na temperatura das águas do Oceano Pacífico.

Pelo critério considerado no levantamento, valores acima de 0,5°C, levando em conta a média de três meses, podem indicar a ocorrência do fenômeno. Índices superiores a 1°C caracterizam um evento forte.

Projeções apontam risco de El Niño forte

Os dados mais recentes citados no estudo indicam probabilidades para diferentes intensidades do fenômeno.

As projeções apontam:

  • 26% de chance de El Niño moderado
  • 57% de chance de El Niño forte
  • 16% de chance de El Niño muito forte

Para o fim do ano, a projeção indica aproximadamente 80% de probabilidade de formação de um El Niño forte, cenário que pode aumentar a pressão sobre a produção e, posteriormente, sobre os preços dos alimentos.

Impactos podem chegar ao consumidor meses depois

Mesmo quando os efeitos climáticos começam a ser sentidos imediatamente nas regiões produtoras, o impacto sobre os preços não acontece necessariamente no mesmo momento.

Segundo as projeções do estudo, a alta pode atingir seu pico em até seis meses após os impactos provocados pelo fenômeno.

Por isso, fatores como condições das lavouras, volume da produção, custos de transporte e oferta dos produtos devem ser acompanhados nos próximos meses.

Mudanças climáticas podem aumentar pressão sobre alimentos

A possibilidade de uma nova alta nos preços reforça a relação entre eventos climáticos e o custo dos alimentos para a população.

Secas, excesso de chuvas e outras alterações nas condições de produção podem afetar desde o cultivo até a chegada dos produtos aos supermercados e feiras.

Caso as projeções de um El Niño forte se confirmem, os impactos sobre a agricultura poderão ser um dos fatores de atenção para a inflação dos alimentos nos próximos meses.

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