A proposta de uma nova tarifa dos EUA sobre produtos do Brasil voltou a gerar preocupação entre empresários, exportadores e especialistas em comércio internacional. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou uma proposta que prevê a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, sob a justificativa de falhas no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Caso a medida seja efetivamente implementada, ela será somada à tarifa de 25% já proposta pelo governo norte-americano no início desta semana, elevando a carga tributária para até 37,5% sobre parte das exportações brasileiras destinadas ao mercado dos Estados Unidos.
Por que os EUA querem aplicar uma nova tarifa ao Brasil?
Segundo o USTR, diversos países não estariam adotando medidas consideradas suficientes para impedir a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado em suas cadeias comerciais. O Brasil foi incluído no grupo de nações que receberiam a maior alíquota proposta, de 12,5%.
A proposta faz parte de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, mecanismo utilizado para analisar práticas consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano.
Como a nova tarifa pode afetar as exportações brasileiras?
Se aprovada, a medida poderá aumentar os custos de exportação para empresas brasileiras que dependem do mercado americano. Setores ligados ao agronegócio, indústria de transformação e manufatura acompanham o tema com atenção.
Apesar da preocupação, alguns produtos estratégicos permanecem fora da lista de sobretaxação. Entre eles estão determinados alimentos, combustíveis, metais específicos e parte dos produtos agrícolas considerados essenciais para o mercado dos Estados Unidos.
Tarifa ainda não está em vigor
É importante destacar que a proposta ainda passará por consulta pública e audiências antes de uma decisão definitiva.
O calendário divulgado pelo governo americano prevê:
- Recebimento de manifestações até 1º de julho;
- Audiências públicas em julho;
- Possível adoção das medidas a partir de 15 de julho de 2026.
Brasil acompanha negociações
O governo brasileiro e representantes do setor produtivo poderão apresentar argumentos e questionamentos durante o período de consulta.
Nos últimos dias, a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos ganhou destaque após outras medidas anunciadas pelo governo norte-americano envolvendo temas como comércio digital, propriedade intelectual, etanol e serviços de pagamento eletrônico.
Para especialistas, o cenário ainda está em aberto e dependerá das negociações bilaterais nas próximas semanas. Enquanto isso, exportadores acompanham os desdobramentos que podem impactar diretamente a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.







