A temperatura política na capital pernambucana subiu drasticamente nesta segunda-feira (02/03/2026). O que era apenas uma movimentação de oposição transformou-se em uma investigação oficial: a Câmara de Vereadores do Recife atingiu o número necessário de assinaturas para abrir uma CPI contra o prefeito João Campos (PSB).
O foco é o polêmico concurso para procurador municipal de 2022, envolvendo reclassificações suspeitas e um cenário de “traição política” que mexe com o tabuleiro das eleições estaduais.
A segunda-feira foi de reviravolta na Casa de José Mariano. Com a 13ª assinatura — vinda do vereador Osmar Ricardo (PT) —, a oposição conseguiu protocolar a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar atos do prefeito João Campos. O caso, que remonta a um concurso realizado em 2022, levanta suspeitas de tráfico de influência e nepotismo.
O pivô da investigação: A “vaga da discórdia”
O centro da crise é a nomeação de um candidato para o cargo de procurador municipal. O candidato em questão, filho de uma atual procuradora da prefeitura, havia ficado em 63º lugar na classificação geral.
Entretanto, dois anos após a homologação do certame, ele apresentou um diagnóstico de autismo e conseguiu, via recurso administrativo, ser reclassificado como 1º lugar nas vagas destinadas a Pessoas com Deficiência (PCD), desbancando o candidato que originalmente ocupava o topo da lista. A nomeação ocorreu em uma edição extra do Diário Oficial, às vésperas do Natal de 2025.
O “Xeque-Mate” de Osmar Ricardo
Mais do que a questão jurídica, o peso da CPI é político. A assinatura decisiva de Osmar Ricardo, presidente do PT no Recife, sinaliza um racha profundo na base aliada. Enquanto o PSB e o PT negociam alianças nacionais, no Recife, Osmar tem se aproximado da governadora Raquel Lyra (PSD), principal adversária política de João Campos no estado.
O que a CPI pretende apurar?
Os 13 parlamentares signatários focam em três frentes principais:
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Tráfico de Influência: Se houve pressão interna para a reclassificação do filho da procuradora.
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Nepotismo Cruzado: Possíveis trocas de favores entre agentes públicos.
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Responsabilidade Administrativa: O papel do prefeito e do Procurador-Geral do Município na validação do recurso dois anos após o prazo do edital.
Vale lembrar que, após a repercussão negativa no final de 2025, o prefeito João Campos chegou a revogar a nomeação, alegando “controvérsia jurídica”. Para a CPI, contudo, a revogação não apaga a necessidade de investigar como o processo chegou a ser concretizado.
Lista dos Vereadores que assinaram
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PL: Fred Ferreira, Gilson Machado, Paulo Muniz, Thiago Medina.
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Novo: Eduardo Moura, Felipe Alecrim.
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PSB: Agora é Rubem (Fogo amigo no partido do prefeito).
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PT: Osmar Ricardo.
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PSOL: Jô Cavalcanti.
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Outros: Alcides Teixeira (Avante), Alef Collins (PP), Davi Muniz (PSD), Flávia de Nadegi (PV).







