Desigualdade Acesso IA Brasil: Por que 69% da Classe A Usa e a D/E Fica Para Trás

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Jéssica Franco

Desigualdade Acesso IA Brasil

Desigualdade Acesso IA Brasil: Por que 69% da Classe A Usa e a D/E Fica Para Trás

A revolução da Inteligência Artificial (IA) generativa alcançou 50 milhões de brasileiros, o que representa impressionantes 32% das pessoas com acesso à internet no país. No entanto, o avanço dessa tecnologia, que promete ganhos de produtividade e novas formas de aprendizado, está sendo dramaticamente marcado pela desigualdade social e econômica. O uso da IA no Brasil revela um abismo digital onde a ferramenta é empregada de forma concentrada pelas classes mais ricas e com maior nível de escolaridade.

Os dados alarmantes vêm da Pesquisa TIC Domicílios, conduzida pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), e divulgados nesta terça-feira (9). O levantamento detalha o cenário da Desigualdade Acesso IA Brasil e reforça a urgência de políticas de inclusão digital mais eficazes.

O Abismo Socioeconômico na Apropriação da IA 

A disparidade no Acesso à IA no Brasil é gritante quando se analisa a divisão por classes:

Classe Social Proporção de Usuários de IA
Classe A 69%
Classes D e E 16%

A proporção daqueles que utilizam a IA chega a expressivos 69% na classe A, mas despenca para apenas 16% nas classes D e E. A educação segue o mesmo padrão de exclusão: 59% dos usuários com ensino superior estão utilizando a ferramenta, contra somente 17% daqueles que possuem apenas o ensino fundamental.

Fabio Storino, coordenador da pesquisa TIC Domicílios, sintetizou o desafio: “A expansão da IA generativa evidencia os desafios da inclusão digital no Brasil. O acesso à tecnologia não basta se a conectividade for limitada, ou faltarem habilidades digitais.”

Esse cenário, segundo o especialista, indica que os benefícios da IA podem continuar concentrados nos grupos que, historicamente, já possuem mais oportunidades, perpetuando o ciclo da desigualdade acesso IA Brasil.

Conectividade Limitada e Planos Pré-Pagos 

A desigualdade não se manifesta apenas no uso da IA, mas na base de acesso: a qualidade da internet móvel.

A pesquisa revelou que aproximadamente 64 milhões de brasileiros (39% dos que têm celular) ficaram sem pacote de dados ao menos uma vez nos últimos três meses. Esse problema afeta diretamente a capacidade de explorar recursos que exigem maior consumo de dados, como as plataformas de inteligência artificial.

O problema é agudo entre os usuários de planos pré-pagos (52% afetados), modalidade predominante entre a população de baixa renda (61% das pessoas nas classes D e E). Storino reforçou a necessidade de uma “conectividade significativa”, onde a qualidade do acesso permita a plena apropriação dos benefícios do ambiente online.

Avanços na Banda Larga Fixa e a Apropriação Digital 

Apesar da concentração no Acesso à IA no Brasil, houve progressos na infraestrutura básica. A pesquisa apontou um avanço na conectividade nos domicílios: 86% agora têm acesso à rede (aumento de 3 pontos percentuais em relação a 2024), impulsionado pelo crescimento da proporção de domicílios com banda larga fixa (76% em 2025, contra 71% em 2024).

Pix e Governo Digital: A Disparidade Persiste 

Mesmo ferramentas digitais consolidadas e amplamente utilizadas, como o Pix (utilizado por 75% dos internautas), refletem a desigualdade acesso IA Brasil no contexto financeiro. O uso do Pix é praticamente universal na classe A (98%), mas cai para 60% entre os usuários das classes D e E.

Por outro lado, o uso de serviços de governo eletrônico cresceu, com 71% dos usuários de Internet (acima de 16 anos) utilizando plataformas digitais. A plataforma Gov.br foi acessada por 56% deste grupo, demonstrando que, embora a adoção seja ampla, o conhecimento e a apropriação plena das ferramentas digitais ainda estão limitados pela condição socioeconômica.

O Alerta Sobre Apostas Online 

O estudo TIC Domicílios 2025 também levantou um dado preocupante: 19% dos usuários de Internet (o equivalente a 30 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais) realizaram algum tipo de aposta online. A prática é mais comum entre homens (25%) do que entre mulheres (14%).

A coordenadora do CGI.br, Renata Mielli, destacou a gravidade desse número. “Temos cerca de 30 milhões de pessoas acima dos 10 anos que já realizaram algum tipo de aposta online,” alertou.

Ela sublinhou a urgência de se estabelecer mecanismos regulatórios e de literacia digital mais robustos para mitigar os riscos associados à prática de jogos e apostas no meio digital, que frequentemente visam a população mais vulnerável.

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