Morte Berta Loran: A Trajetória de 70 Anos da Atriz que Superou o Nazismo
O cenário artístico brasileiro está de luto. A inigualável atriz Berta Loran, referência no humor nacional, faleceu na madrugada desta segunda-feira (29) em um hospital particular na Zona Sul do Rio de Janeiro. A artista, que celebrava seus 99 anos, deixa um legado de mais de 70 anos de sucesso, marcado por personagens icônicos e uma história de vida de superação. A notícia da morte Berta Loran ressoa por todo o país, lembrando a notável contribuição da atriz para a cultura brasileira.
Nascida Basza Ajs em Varsóvia, na Polônia, a atriz adotou o nome artístico Berta Loran e se consolidou como um dos maiores nomes da comédia no Brasil. Sua jornada, no entanto, foi marcada por adversidades desde a infância, forçando-a a deixar a terra natal para escapar da perseguição nazista.
Da Polônia ao Brasil: A Fuga do Nazismo
A história de Berta Loran é um testemunho de resiliência. De origem judaica, ela e sua família deixaram a Polônia em 1937, quando Berta tinha apenas 11 anos, fugindo da ascensão do nazismo de Adolf Hitler. A atriz relembrou, em diversas entrevistas, o trauma de ver grande parte de sua família ser vítima do regime. O pai da atriz, um alfaiate com paixão pelo teatro, vendeu duas máquinas de alfaiataria para garantir a mudança da família para o Brasil, após ouvir Hitler declarar que iria “matar todos os judeus”.
Em entrevista concedida ao Globo em 2019, Berta recordou a fuga dramática: “Saí para nunca mais voltar. Lembro que peguei o navio com 30 graus negativos e cheguei ao Rio de Janeiro com uma temperatura de quase 40 graus”. A adaptação ao “solo tupiniquim” não foi fácil; a família viveu “maus bocados”, e a atriz chegou a passar anos sem ter acesso à carne, exceto a das galinhas que sua mãe conseguia para o shabat (dia sagrado de descanso e oração no judaísmo).
Para entender mais sobre o contexto histórico que forçou a migração de Berta Loran, é possível consultar informações no site do Museu do Holocausto de Curitiba.
Carreira Consagrada: Do Teatro à TV Globo
Foi das adversidades que Berta Loran aprendeu a extrair o humor. Na adolescência, ela foi dirigida pelo pai, que era ator amador de teatro ídiche. A estreia profissional aconteceu nas revistas do Teatro Carlos Gomes, o mesmo local que conheceu ao chegar à então capital federal e onde sua família morou na Praça Tiradentes.
Sua entrada no humor foi, segundo ela, “involuntária”: “Estava atuando num drama dirigido pelo meu pai, usando um salto de minha mãe. No meio da cena, o salto quebrou e fiquei mancando pelo palco. O público, claro, caiu na risada”. Ali nascia a marca que a consagraria.
A morte Berta Loran encerra uma carreira de sucesso na TV Globo, onde participou de programas que definiram o humor brasileiro. A atriz brilhou em produções como:
- Riso Sinal Aberto (1966)
- Balança Mas Não Cai (1968)
- Faça Humor, Não Faça Guerra (1970)
- Satiricom (1973)
- Planeta dos Homens (1976)
- Escolinha do Professor Raimundo (1990)
- Zorra Total (1999)
- A Grande Família (2012)
Seus personagens, como a Manuela D’Além-Mar da Escolinha do Professor Raimundo e Frosina da novela Amor com amor se paga (1984), são lembrados com carinho por gerações. A longevidade de sua arte e sua capacidade de fazer rir, mesmo diante de uma história de vida difícil, a tornam uma verdadeira lenda.
Para mais detalhes sobre a filmografia e o legado da atriz, os sites de referência em cultura, como o Memória Globo, geralmente oferecem um rico acervo de informações.
Foto: Marcio de Souza – Rede Globo








