O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou, nesta terça-feira (2), o julgamento da Ação Penal (AP) 2668, que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus, todos acusados de tentativa de golpe de Estado. Este julgamento marca um momento histórico para a democracia brasileira, sendo o primeiro em que um ex-presidente enfrenta a Corte por crimes relacionados à tentativa de subverter o regime democrático.
Presença de governistas no plenário
Desde o início da sessão, parlamentares da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstraram apoio ao processo. Entre os presentes, destacaram-se a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e o pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ). Vieira enfatizou que “não há clima” no Congresso para a aprovação de uma anistia aos envolvidos na trama golpista, reforçando a posição do governo em relação à gravidade das acusações.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), também esteve presente e criticou duramente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que defendeu publicamente a anistia e mencionou um possível indulto. Farias classificou tais falas como “inconstitucionais”, destacando a postura firme do governo federal em relação ao julgamento.
Ausência de aliados de Bolsonaro
Em contraste, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro optaram por não comparecer ao STF. Parlamentares da oposição se reuniram na casa do líder da bancada, Sanderson Zucco (PL-RS), em Brasília. Essa ausência foi interpretada como uma forma de evitar a exposição pública em um momento de fragilidade do ex-presidente e, ao mesmo tempo, articular uma resposta política conjunta para os próximos dias.
Bolsonaro, que não compareceu ao julgamento por recomendação médica devido a crises recorrentes de soluços e rouquidão, acompanha o processo de sua residência, em Brasília, cercado por três de seus cinco filhos. Aliados afirmam que ele enfrenta crises recorrentes de soluços, acompanhadas de vômitos, que teriam irritado seu esôfago e provocado rouquidão. O quadro levou médicos e advogados a recomendarem que ele não se expusesse em público, reforçando também a estratégia jurídica de mantê-lo em silêncio neste momento.
Michelle Bolsonaro e o Partido Liberal
Enquanto Jair Bolsonaro se resguarda, sua esposa, Michelle Bolsonaro, tem se destacado como uma figura central dentro do Partido Liberal (PL). Ela tem ocupado um espaço estratégico na sede nacional do partido, sinalizando sua crescente influência política e possível liderança futura. Esse movimento é interpretado como um sinal da centralidade de Michelle dentro do PL, onde ela tem cada vez mais espaço como figura de articulação política e possível herdeira eleitoral do capital bolsonarista.
Expectativas para o julgamento
O julgamento da Ação Penal 2668 está previsto para se estender até sexta-feira da próxima semana (12). Além de Jair Bolsonaro, outros sete aliados também são réus no processo. A expectativa é que a Primeira Turma do STF decida se os réus devem ser condenados ou absolvidos, com base nas evidências apresentadas durante as sessões.
Este julgamento representa um marco na história política do Brasil, pois pela primeira vez um ex-presidente enfrenta acusações tão graves perante a mais alta Corte do país. A sociedade brasileira acompanha atentamente os desdobramentos, aguardando uma decisão que poderá influenciar profundamente o cenário político nacional.
Imagem: SFT







