Radares em rodovias federais são desligados após corte de verba e infrações disparam
O desligamento de radares em rodovias federais desde 1º de agosto de 2025 já provoca efeitos preocupantes na segurança viária. A medida ocorreu após o contingenciamento de R$ 31,3 bilhões no Orçamento, anunciado pelo governo federal para cumprir a meta fiscal.
De acordo com levantamento do Poder360, o programa de controle eletrônico de velocidade ficou sem recursos suficientes para manutenção e operação. Esse corte afetou diretamente a fiscalização de velocidade, com impacto imediato no comportamento dos motoristas.
Crescimento alarmante das infrações
Entre 1º e 12 de agosto, em apenas 201 faixas monitoradas, houve um aumento de 802,55% nas infrações registradas sem aplicação de multa. Foram mais de 17 mil ocorrências de excesso de velocidade, revelando que a ausência de punição gera impacto direto no respeito às regras de trânsito.
Segundo dados do Detran-RJ, a frota nacional já supera 120 milhões de veículos. Em um cenário sem fiscalização efetiva, os riscos de acidentes fatais tendem a aumentar consideravelmente. O próprio relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que o excesso de velocidade é uma das principais causas de mortes no trânsito.
Orçamento insuficiente frente ao custo das mortes no trânsito
O orçamento destinado ao programa de radares representa apenas 0,19% dos custos anuais com acidentes fatais causados por velocidade. Isso significa que o valor economizado com o corte é irrisório diante dos gastos públicos com saúde, indenizações e perdas econômicas decorrentes de mortes e ferimentos graves.
Especialistas do Observatório Nacional de Segurança Viária alertam que a interrupção do monitoramento eletrônico pode reverter avanços conquistados nos últimos anos na redução de mortes em rodovias federais.

Possíveis consequências para a segurança pública
Com os radares rodovias federais desativados, motoristas podem se sentir mais encorajados a exceder limites de velocidade, aumentando o risco de colisões e atropelamentos.
Além disso, o Brasil pode enfrentar impactos negativos nas metas estabelecidas no Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), alinhado à Década de Ação pela Segurança no Trânsito promovida pela ONU.
Debate sobre alternativas e retorno da fiscalização
Parlamentares e entidades de segurança viária defendem a reativação imediata dos equipamentos, argumentando que o custo de manter os radares é muito menor do que o impacto financeiro e social dos acidentes.
Soluções temporárias, como parcerias com governos estaduais e concessões privadas, estão sendo discutidas para evitar que o país retroceda no combate às mortes no trânsito.
Imagens: Reprodução Redes Sociais







