Endividamento de brasileiros cresce 75% em cinco anos, alerta Banco Central

O Banco Central divulgou dados alarmantes sobre a saúde financeira dos brasileiros. Conforme o Relatório de Estabilidade Financeira divulgado pela instituição, aproximadamente 20,3 milhões de pessoas se encontram em condição de endividamento de risco, o que representa um crescimento de 75% nos últimos cinco anos. Esse contingente corresponde a 17% de todos os devedores que operam no Sistema Financeiro Nacional.
A situação é mais crítica entre os brasileiros de menor renda. Pessoas que ganham até dois salários mínimos dedicam 42% de seus rendimentos ao pagamento de dívidas, enquanto 15% dessa renda é comprometida especificamente com cartão de crédito. Já aqueles que ganham mais de dez salários mínimos comprometem 18,6% de seus ganhos com obrigações financeiras. O Banco Central utiliza critérios específicos para identificar quem está em situação de risco, como atrasos superiores a 90 dias, comprometimento de mais de 50% da renda ou uso simultâneo de múltiplas modalidades de crédito sem garantia.
Preocupado com o cenário, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, anunciou que a instituição pretende implementar novas ações ainda este ano. As medidas devem se concentrar em consumidores que já utilizam crédito rotativo do cartão ou apresentam significativos atrasos nas parcelas. O executivo destacou a expansão de modalidades de crédito sem garantia, como cartão de crédito, cheque especial e empréstimo pessoal, mesmo em contexto de juros elevados.
O BC já iniciou implementação de ações regulatórias. A partir de 31 de março de 2027, as instituições financeiras deverão oferecer ferramentas para bloquear publicidade e propostas ativas de crédito. Para consumidores em situação vulnerável, qualquer oferta de empréstimo exigirá autorização prévia e explícita, sendo permitidas apenas operações que melhorem a condição financeira, como renegociação. Medidas adicionais, incluindo painéis digitais sobre dívidas e restrições a ofertas via Pix, entram em vigor em julho de 2027.
Com informações de Agência Brasil — fonte original.
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