Congelamento de benefícios sociais pode causar colapso econômico em cidades do interior

Pesquisadores do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo divulgaram estudo que aponta riscos significativos para a economia de municípios interioranos caso haja congelamento ou redução de benefícios sociais e previdenciários. Aposentadorias, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC) representam praticamente metade do orçamento das famílias mais pobres nessas regiões, com circulação imediata no comércio local e geração de empregos.
O levantamento comparou cenários de crescimento real dos benefícios entre 2022 e 2025 com períodos anteriores de congelamento. Os resultados mostram que sem reajustes, a renda agregada do interior sofreria retração entre 6,8% e 10,8%. Os estados mais afetados seriam Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí, com quedas de até 18%. Pernambuco integraria o grupo de estados que enfrentariam perdas próximas a 15%, ao lado de Amazonas e Sergipe.
Além do impacto econômico, a pesquisa destaca o papel crucial dos benefícios no combate à pobreza. Simulações indicam que a ausência de ganhos reais entre 2022 e 2025 teria empurrado aproximadamente 2,7 milhões de pessoas para a pobreza nos municípios do interior, com 2,4 milhões caindo na extrema pobreza. Bahia, São Paulo e Minas Gerais registrariam os maiores aumentos em números absolutos.
Os pesquisadores enfatizam que a valorização real desses programas é fundamental não apenas para garantir dignidade às famílias dependentes, mas também para manter viva a atividade econômica local. A ausência de reajustes geraria uma reação em cadeia que afetaria até mesmo famílias que não dependem de auxílios públicos.
Com informações de Agência Brasil — fonte original.
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