Sorriso perde liderança agrícola após criação de novo município em Mato Grosso

Sorriso, historicamente conhecida como polo do agronegócio brasileiro, deixou de ocupar o primeiro lugar no ranking nacional de valor de produção agrícola. A mudança ocorreu em 2025, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Agora, Sapezal, também em Mato Grosso, assume o topo com R$ 8,59 bilhões, seguida por São Desidério, na Bahia, com R$ 8,22 bilhões. Sorriso ficou em terceiro, alcançando R$ 8,16 bilhões.
A queda de Sorriso não se deve apenas ao desempenho das lavouras. A principal razão está na criação de Boa Esperança do Norte, novo município mato-grossense instalado em 1º de janeiro de 2025. A cidade foi constituída com terras que pertenciam a Sorriso e Nova Ubiratã, reduzindo a área produtiva de Sorriso em 9,3%. Essa perda territorial afetou principalmente as culturas de soja, algodão e feijão.
Boa Esperança do Norte é o município mais novo do Brasil. Embora sua criação tenha sido aprovada por lei estadual em 2000, a cidade só se tornou realidade após decisões judiciais que duraram mais de duas décadas. O Supremo Tribunal Federal autorizou sua instalação em outubro de 2023, efetivando-se no início deste ano. Com população estimada em 5,9 mil habitantes, a nova cidade representa a reestruturação do mapa político de Mato Grosso.
Sapezal, a nova campeã, teve seu desempenho impulsionado principalmente pelo algodão, que representa 60% de sua produção (R$ 5,13 bilhões de um total de R$ 8,59 bilhões). O município também registrou crescimentos expressivos em soja (51,4%) e milho (58,1%). Localizada a cerca de 500 quilômetros de Cuiabá, a cidade concentra uma população de 32,5 mil pessoas.
Mato Grosso consolidou sua posição como principal estado produtor agrícola do país, gerando R$ 165,6 bilhões em valor de produção. O estado mantém cinco dos dez maiores municípios produtores brasileiros no ranking. No geral, a produção agrícola nacional alcançou R$ 927,2 bilhões em 2025, representando um crescimento de 18,4% em relação a 2024.
Com informações de Agência Brasil — fonte original.
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