El Niño Pode Elevar Risco de Dengue no Fim de 2026

O El Niño e dengue entram no radar do Ministério da Saúde para os próximos meses. A pasta alerta para a possibilidade de aumento da circulação de dengue e outras arboviroses a partir do segundo semestre de 2026, em meio às mudanças no regime de temperaturas e chuvas provocadas pelo fenômeno climático.
Apesar do alerta, o Brasil iniciou 2026 com queda expressiva nos registros. Até 20 de junho, foram contabilizados 392,8 mil casos de dengue, número 73% menor que o registrado no mesmo período de 2025. O cenário, porém, pode mudar com a intensificação do El Niño.
El Niño e dengue: por que o risco pode aumentar?
O fenômeno climático altera as condições de temperatura e chuva em diferentes regiões do país. Em determinadas áreas, o aumento das precipitações pode favorecer a formação de criadouros do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue.
Em regiões de estiagem, outro problema pode surgir. A necessidade de armazenar água aumenta quando há dificuldade de acesso ao abastecimento. Se os recipientes não forem protegidos ou vedados corretamente, eles podem se transformar em locais para reprodução do mosquito.
Por isso, o Ministério da Saúde orienta estados e municípios a reforçarem as ações de vigilância e controle. Entre as medidas estão o monitoramento dos casos, o bloqueio da transmissão quando houver registros e a atuação dos agentes de combate às endemias.
Nordeste deve enfrentar estiagem e calor
No Nordeste, a preocupação também envolve os efeitos do calor intenso e da estiagem. Segundo o Ministério da Saúde, o El Niño está em nível forte e há possibilidade de chegar a uma intensidade muito forte, com efeitos que podem se estender até março de 2027.
A combinação de calor, seca e insegurança hídrica pode aumentar os desafios para a saúde pública na região. O Ministério também aponta preocupação com a proliferação de arboviroses e outros impactos relacionados às condições climáticas.
Ministério prepara resposta para o período crítico
O governo federal vem preparando ações para enfrentar os possíveis impactos do El Niño. Em setembro, gestores dos estados e do Distrito Federal participaram da elaboração de planos específicos para preparação e resposta aos efeitos do fenômeno.
A estratégia inclui os Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC) e bases descentralizadas da Força Nacional do SUS (FN-SUS). No Nordeste, o Ministério também informou que ações de segurança hídrica e proteção das populações vulneráveis estão entre as prioridades.
Projeção aponta possível alta em 2027
Em julho, o Ministério da Saúde informou que projeções do InfoDengue/Fiocruz indicavam a possibilidade de o Brasil registrar cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027. A pasta ressalta que se trata de uma estimativa baseada em cenários climáticos e que os números podem ser atualizados conforme novas informações sejam incorporadas aos modelos.
O período entre outubro de 2026 e março de 2027 é considerado uma janela de atenção para os impactos do fenômeno. Por isso, a recomendação é manter ações de prevenção e eliminar possíveis criadouros do mosquito.
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